Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018

Mercado fez pequenos ajustes em suas projeções de câmbio e inflação deste ano


 

 

Mercado fez pequenos ajustes em suas projeções de câmbio e inflação deste ano

De acordo com o Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, o mercado fez ligeiros ajustes em suas projeções macroeconômicas para este ano. A mediana das projeções da taxa de câmbio no final de 2018 foi ajustada de R$/US$ 3,71 para R$/US$ 3,70, mantendo-se em R$/US$ 3,80 para o encerramento de 2019. Já a mediana das projeções do IPCA deste ano foi ajustada de uma alta de 4,43% para outra de 4,40%, enquanto que para o ano que vem continuou apontando para uma elevação de 4,22%. As expectativas para o crescimento do PIB permaneceram inalteradas, em 1,36% em 2018 e 2,50% em 2019. Por fim, as expectativas para a taxa Selic seguiram sem modificações, em 6,50% e 8,00% no final dos dois períodos, respectivamente.

 

Destaques da Semana

No Brasil, as atenções estarão voltadas para a ata do Copom e dados de inflação, enquanto a reunião do FOMC e indicadores de atividade das principais economias serão destaques na agenda internacional

Na agenda doméstica, as atenções estarão voltadas para a ata da última reunião do Copom, que deve trazer detalhes adicionais a respeito do balanço de riscos no cenário do BC. Ademais, teremos dois dados de inflação de outubro, na quarta-feira. Para o IPCA, esperamos alta de 0,55%, com aceleração gradual dos núcleos. Para o IGP-DI, que deverá mostrar nova descompressão dos preços no atacado, esperamos elevação de 0,37%. Já na agenda internacional, na quinta-feira, haverá a reunião do comitê de política monetária do Fed (FOMC), que deverá manter a taxa de juros estável em 2,25%. O colegiado deve continuar com uma visão otimista com o crescimento norte-americano, ao mesmo tempo em que tende a qualificar, com algumas ressalvas, que o cenário de inflação é compatível com a meta. Por fim, ainda hoje será divulgado o índice ISM de serviços dos EUA e, amanhã, teremos a divulgação dos PMIs (Purchasing Manager´s Index) compostos (indústria e serviços) da Área do Euro, que devem indicar uma desaceleração mais difusa das principais economias.

 

Atividade

Surpresa negativa com produção industrial de setembro não altera nossa estimativa de crescimento do PIB no terceiro trimestre, por conta dos dados mais favoráveis de comércio e serviços

Em setembro, a produção industrial brasileira recuou 2,0% na comparação interanual, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM/IBGE), divulgada na última quinta-feira. Na margem, a queda foi de 1,8%, surpreendendo negativamente a nós (esperávamos -1,4%) e ao mercado (-1,0%). Trata-se do terceiro recuo consecutiva na métrica mensal, intensificando a contração registrada entre julho e agosto, de -0,7%. Essa sequência, contudo, não foi suficiente para impedir uma expansão do indicador no terceiro trimestre (de 2,7%), o que foi favorecido pela base de comparação deprimida entre abril e junho, por conta dos efeitos da paralisação no setor de transporte, em maio. Esse ponto é reforçado quando constatamos que o nível da produção em setembro é aproximadamente 10% maior do que o verificado no período da referida paralisação. Na divulgação corrente, as quatro categorias de uso apresentaram queda de produção ante agosto, com destaque negativo para bens de consumo duráveis, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias. Por ora, esse dado do IBGE não altera a nossa estimativa de expansão do PIB entre julho e setembro, de 0,5% ante o segundo trimestre, diante da dinâmica positiva observada nos últimos dados de varejo e de serviços.

 

Emplacamentos de veículos avançaram na passagem de setembro para outubro, excluindo os efeitos sazonais

Os emplacamentos de veículos, excluindo máquinas agrícolas, implementos rodoviários e motocicletas, somaram 245,7 mil unidades em outubro, segundo os dados divulgados na quinta-feira pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Esse resultado representou um avanço de 2,7% ante setembro, já descontados os efeitos sazonais, segundo nossas estimativas. A alta no mês foi puxada pelos aumentos das vendas de automóveis e de caminhões, que mais do que compensaram os recuos das vendas de comerciais leves e de ônibus. Na comparação interanual, os emplacamentos totais (também descontados os segmentos supracitados) cresceram 25,6%, acelerando em relação à expansão de 7,1% observada na leitura anterior. Em suma, os dados de emplacamentos de outubro indicaram que o setor automotivo segue como um dos mais dinâmicos da economia.

 

Atividade da indústria paulista registrou queda em setembro, em linha com a Pesquisa Industrial Mensal

O Indicador de Nível de Atividade (INA) recuou 0,7% na passagem de agosto para setembro, na série livre de efeitos sazonais, de acordo com o levantamento divulgado na quinta-feira pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Esse resultado reverteu parte da alta de 1,5% registrada na leitura anterior. As horas trabalhadas na produção diminuíram 0,8%, enquanto o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) avançou 0,2 ponto percentual, alcançando 76,0%. Assim, os dados reportados para a indústria paulista vieram em linha com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), confirmando que a atividade manufatureira apresentou desempenho no terceiro trimestre inferior ao esperado inicialmente.

 

Inflação

IPC-Fipe de outubro acelerou 0,48% em relação ao mês anterior, abaixo das expectativas

O IPC-Fipe registrou alta de 0,48% em outubro, avançando em relação ao mês anterior, quando houve alta de 0,39%, mas abaixo do resultado da terceira semana do mês, de 0,52%. Esse avanço veio abaixo da mediana das projeções do mercado (0,52%) e da nossa (0,58%). Dentre as aberturas, destaque para a alta dos preços de Alimentação, que registraram variação de 1,21%, contra uma alta de 0,08% do mês anterior, refletindo principalmente o avanço no preço de produtos in natura, revertendo a deflação de setembro. No mesmo sentido, Vestuário avançou de -0,20% para 0,06%. Os outros grupos, por outro lado, recuaram ante o mês anterior. Dentre eles, destaque para Despesas Pessoais, cujos preços passaram de 0,95% no último mês para 0,22%, e Transportes, que também registrou desaceleração – de 0,97% para 0,54% em outubro – refletindo a menor inflação dos preços de gasolina e etanol. Em dozes meses, o indicador agregado acumulou expansão de 3,63%. Para o IPCA de outubro, que será divulgado na quarta-feira, esperamos uma variação em torno de 0,55%.

 

Setor Externo

Balança comercial registrou superávit de US$ 6,1 bilhões em outubro

Após ter registrado superávit de US$ 1,6 bilhão nas duas últimas semanas de outubro, o saldo comercial do mês ficou positivo em US$ 6,1 bilhões, de acordo com dados divulgados na última quinta-feira pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em termos anualizados e levando em consideração os ajustes sazonais, o resultado é equivalente a um superávit de US$ 79,5 bilhões. A exportação do mês alcançou a cifra de US$ 22,2 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 16,1 bilhões. Na comparação com outubro de 2017, as vendas externas registraram crescimento de 12,4%. Aumentaram os embarques de produtos básicos, de manufaturados e de semimanufaturados. Ainda na comparação interanual, as importações apresentaram aumento de 12,4%. Cresceram as compras principalmente de combustíveis e lubrificantes e de bens intermediários. Na margem, excluindo as operações de petróleo, os embarques tiveram alta de 2,3%, enquanto as compras externas recuaram 4,5%. Dessa forma, de janeiro a outubro o saldo comercial acumulou um superávit de US$ 47,7 bilhões.

 

Internacional

Geração de vagas em outubro reforçou percepção de mercado de trabalho aquecido nos EUA

O mercado de trabalho norte-americano registrou a criação de 250 mil vagas em outubro, conforme divulgado na última sexta-feira. Esse resultado surpreendeu positivamente, diante da estimativa mediana de 200 mil postos. O dado de setembro, que tinha surpreendido negativamente, foi revisado para baixo, de 134 mil para 118 mil. Na média móvel trimestral, o dado voltou ao patamar superior a 200 mil vagas, depois de ter ficado abaixo disso na leitura anterior. A taxa de desemprego manteve-se constante em 3,7%, situando-se no menor nível desde dezembro de 1969 (3,5%). O salário médio por hora dos trabalhadores do setor privado continuou acelerando, ao registrar alta de 3,1% na comparação interanual, maior variação desde abril de 2009. A despeito das distorções dos dados dos últimos dois meses, por conta dos furacões Florence e Michael, os resultados reportados reforçam a percepção de que o mercado de trabalho nos EUA está bastante aquecido e no pleno emprego, o que sugere continuidade de pressões salariais. Tal cenário, por sua vez, é compatível com a manutenção do processo de normalização da política monetária, ainda que de forma gradual.

 

Banco Central da Inglaterra destacou incertezas em relação ao Brexit, mas sinalizou que resposta da política monetária não será automática

Em reunião de política monetária realizada na última quinta-feira, o Banco Central da Inglaterra (Bank of England, BoE) não surpreendeu, ao manter, por unanimidade, a sua taxa básica de juros em 0,75% ao ano, bem como o seu programa de compras de títulos. O destaque ficou por conta da divulgação do Relatório de Inflação da instituição, que apontou as incertezas em relação aos impactos da saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit), cujas negociações estão em curso e têm previsão de conclusão até o final de março de 2019. Segundo o documento, as perspectivas para o crescimento econômico, o emprego e a inflação dependerão da forma como essa saída ocorrerá e os novos arranjos de comércio com o bloco europeu. De acordo com o BoE, a resposta de consumidores, empresários e do mercado financeiro ao Brexit dependerá da transição, que pode ser abrupta ou suave. Nesse sentido, como sinalizado no Relatório, a reação do banco central dependerá do balanço dos efeitos desse processo sobre demanda, oferta e câmbio, mas que a política monetária não responderá de forma automática, podendo ocorrer em qualquer direção. De qualquer maneira, a autoridade monetária britânica apontou que sob quaisquer circunstâncias, estará preparada para trazer a inflação de volta para a meta de 2,0% (atualmente, em 2,4%).

 

PMI global desacelerou em outubro, sugerindo moderação do ritmo de crescimento econômico industrial neste quarto trimestre

O PMI (Purchasing Managers Index) industrial global, segundo nossas estimativas, caiu de 53,2 pontos para 52,6 pontos entre setembro e outubro. O indicador agregado, construído por nós, é elaborado a partir de uma amostra que considera 35 países e a Área do Euro. O resultado sugere uma desaceleração no ritmo de crescimento da atividade manufatureira no período, mas ainda com expansão (valores acima de 50 pontos indicam crescimento). O menor ritmo registrado em outubro foi influenciado sobretudo pela moderação do crescimento das economias desenvolvidas (-1,3 ponto), com destaque para os EUA (índice ISM, que veio abaixo do esperado, mas ainda apontando atividade robusta), a Área do Euro e o Reino Unido. No caso dos emergentes, houve manutenção do patamar anterior, com resultados mistos: desaceleração na China e aceleração na Turquia, Rússia e Índia. Em suma, o desempenho da atividade industrial mundial no mês de outubro coloca um viés baixista para a expectativa de crescimento do PIB global neste quarto trimestre.

 

Tendências de Mercado

Os mercados acionários operam sem tendência única nesta manhã, ainda com os riscos geopolíticos no radar dos investidores. Em discurso de abertura de uma feira de importações em Xangai, o presidente chinês, Xi Jinping, melhorou o tom em relação à possibilidade de realizar um acordo comercial com os EUA, além de anunciar a intenção de importar mais de US$ 30 trilhões em produtos. Esse pronunciamento sucede uma recente conversa por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump. No entanto, nesta manhã, o que se observou nos principais pregões chineses e asiáticos foi o movimento de realização de lucros, levando-os a fechar no campo negativo. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos são cotados em queda. Já nos mercados europeus, o tom levemente otimista vem com a expectativa acerca da questão fiscal da Itália. Hoje, ocorrerá uma reunião entre os ministros das finanças da Área do Euro, na qual o plano orçamentário italiano de 2019 deve ser um dos principais pontos de discussão.

 

Amanhã, a população norte-americana irá às urnas para as eleições no Congresso. Apesar de o voto não ser obrigatório, espera-se que a presença de eleitores seja recorde. A expectativa é a de que o Congresso seja renovado, o que pode reduzir o conforto de Trump, abrindo caminho para um menor volume de medidas comerciais bilaterais e uma redução de isenções fiscais. Assim, as commodities metálicas seguem tendência de alta nos preços, com destaque para o cobre, que fechou o pregão na sexta-feira com alta de mais de 3%. Já as commodities agrícolas não apresentam movimento único.

 

Após a suavização das sanções dos EUA, que permitiu que aliados próximos comprassem petróleo diretamente do Irã, os riscos acerca da oferta da commodity foram reduzidos. Assim, seus preços são cotados próximos à estabilidade. Ao longo da semana, os investidores deverão reagir à divulgação dos relatórios de estoques globais. 

 

No mercado de câmbio, por sua vez, o dólar se fortalece ante as principais moedas de países emergentes e desenvolvidos, refletindo as questões supracitadas.

 

No Brasil, os mercados devem reagir ao contexto internacional, bem como às projeções contidas no relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central.

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mercado

Previsão
DEPEC

13:00

EUA

Índice ISM do setor de serviços (out)

59,5

 

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