Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

Vendas Varejistas rompem sequência de quedas em Agosto/18, retornando à trajetória ascendente após a paralisação de maio.


 

Os dados das vendas varejistas de ago/18, divulgados nesta manhã pelo IBGE, revelou avanço de 1,3% na passagem do mês, de julho/18 para agosto/18, com ajuste sazonal. O resultado veio na sequência de 3 quedas consecutivas, aliviando os 1,5% de retração acumulada nesse período. O resultado indica um retorno ao crescimento do setor varejista, após a paralisação nos transportes. Na comparação interanual, ago/18 contra mesmo período do ano anterior, as vendas do varejo apresentaram alta de 4,1%, após recuar 1% em jul/18.

 

Com relação ao conceito Varejo Ampliado (que inclui automóveis e material para construção) em ago/18, após um recuo de 0,3% (expurgado os efeitos sazonais) em julho, a pesquisa revelou um robusto avanço, de 4,2% na passagem do mês, também desconsiderados os efeitos sazonais. Demais, na comparação interanual, a tendência segue positiva, registrando aceleração no ritmo de crescimento, com um avanço de 6,9% frente ago/17 (2,9% no mês anterior na mesma base de comparação), a 16ª taxa positiva consecutiva.

 

Nesta mesma leitura, o varejo restrito encerrou 12 meses mantendo o ritmo de vendas, passando de +3,2% em julho para +3,3% na presente leitura. No varejo ampliado o acumulado em 12 meses repetiu a dinâmica do varejo restrito, indicando estabilidade ao passar de 6,5% no mês anterior para 6,4% em agosto, especialmente devido ao desempenho das vendas de materiais de construção, que avançaram 7,8%, e dos veículos e motos, partes e peças, com elevação na ordem de 14,2%, nesta modalidade de comparação.

 

Na margem, a maioria dos segmentos apresentaram alta, ficando o avanço a cargo de 7 das 8 atividades do varejo restrito pesquisadas, em comparação ao mês anterior. Destaque para a pressão positiva exercida pelos setores de Tecidos, vestuário e calçados (5,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%), Móveis e eletrodomésticos (2,0%), setores que juntos pesam 30,0% do total do varejo. Outras contribuições benéficas foram verificadas no crescimento dos setores de Combustíveis e lubrificantes (+3,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,7%) Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%). A única atividade com taxa negativa em agosto foi Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,5%), que mostra comportamento predominantemente negativo desde maio, acumulando perda de 9,7% nesse período.

 

Na comparação com ago/17, 5 dos 8 setores pesquisados elevaram-se, com os principais destaques , por ordem de contribuição na formação da taxa global do varejo, vindo de: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,5%), setor de maior peso na estrutura do varejo, seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,5%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,4%). Atuando ainda positivamente sobre a formação da taxa global tivemos as contribuições dos segmentos de Tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,1%). Já caminhando em sentido contrário, os setores cujo desempenho foi negativo foram os: Combustíveis e lubrificantes (-2,0%) e Móveis e eletrodomésticos (-2,4%) seguidos por Livros, jornais, revistas e papelaria (-12,0%).

 

No varejo ampliado, na comparação de ago/18 com o mês anterior, expurgados os efeitos sazonais, o avanço de 4,2% deu-se por conta do robusto crescimento nos setores de Veículos, motos, partes e peças (+5,4%), e Materiais de construção (+4,6%), devolvendo os recuos registrados no mês anterior, de 1,4% e 3,5% respectivamente. Já na comparação interanual, o comércio varejista ampliado registrou a décima sexta taxa positiva, acelerando de maneira robusta seu ritmo de crescimento, avançando 6,9% em agosto, ao passo que se elevara em 2,9% em julho. Com efeito, a aceleração em questão pode ser creditada ao desempenho do segmento de Veículos, motos, partes e peças, que ao elevar-se 15,9% em relação a agosto de 2017, representou o principal impacto no resultado de agosto para o varejo ampliado. No acumulado dos últimos 12 meses, destaca-se o aumento no ritmo de crescimento do setor, que salta de 14% para 14,2% em agosto, permanecendo em trajetória de recuperação e registrando a maior taxa para essa comparação desde julho de 2011 (13,5%).

 

Veja mais detalhes dos ramos de atividades que compõem o indicador, na tabela abaixo:

Atividades (Var. %)

Ago/18 (m/m)

Ago/18 (a/a)

 Acum.

no ano

12 Meses

 
 

Comércio Varejista

1,3

     4,1

2,6

3,3

 

1 - Combustíveis e lubrificantes

3,0

    -2,0

-5,9

-5,1

 

2 - Hiper, supermercados, prods. Alimentícios, bebidas e fumo

0,7

     5,5

4,9

4,8

 

2.1 - Super e hipermercados

1,0

     6,3

5,2

5,3

 

3 - Tecidos, vest. e calçados

      5,6

      2,9

-3,5

0,7

 

4 - Móveis e eletrodomésticos

      2,0

    -2,4

-0,8

3,7

 

4.1 - Móveis

-

    -3,0

-3,5

0,6

 

4.2 - Eletrodomésticos

-

    -2,3

1,3

5,3

 

5 - Artigos farmacêuticos, med., ortop. e de perfumaria

      0,9

     7,4

5,9

6,3

 

6 - Equip. e mat. para escritório informática e comunicação

      0,6

      3,1

-0,5

-2,8

 

7 - Livros, jornais, rev. e papelaria

     -2,5

       -12,0

-9,3

-8,1

 

8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico

      2,5

    9,5

7,7

6,5

 

Comércio Varejista Ampliado

      4,2

    6,9

5,6

6,4

 

9 - Veículos e motos, partes e peças

      5,4

      15,9

16,4

14,2

 

10- Material de Construção

      4,6

      5,9

4,7

7,8

 

 

Conforme destacamos em nossos relatórios anteriores, os primeiros 8 meses de 2018 apresentaram um padrão errático na margem para as vendas no varejo, em linha com o que foi visto no segundo semestre do ano passado. O resultado reflete uma economia que segue sem tração, com mercado de trabalho desaquecido, agora somado às incertezas de ordem eleitoral e de conjuntura externa, no contexto das eleições vindouras e das turbulências comercias entre China e EUA. Além disso, há o impacto da greve no setor de transportes, observada nos meses de maio e junho e que parece ter se prolongado até julho. Agora em agosto, o resultado surpreendeu positivamente, indicando os efeitos da greve terem ficado para trás. Ainda assim, os indicadores não são de todo favoráveis à retomada do consumo, principalmente pela elevada incerteza que impera no atual 2º turno das eleições presidenciais, além da elevada distensão presente no mercado de trabalho. De toda forma, adentramos nesse final de ano num período de reconhecida sazonalidade positiva, o que deve permitir algum avanço do comercio varejista.

 

Em suma, as condições conjunturais são ambíguas à retomada do consumo, de um lado a inflação situa-se sob controle, com juros mais baixos, favorecendo o grosso do processo de desalavancagem das famílias, o que nos leva a esperar um crescimento das vendas varejistas maior. De outro, o mercado de trabalho segue desaquecido, com recuperação de baixa qualidade, e as incertezas eleitorais e internacionais restringem a capacidade de retomada da economia, podendo retardar o crescimento das vendas do varejo.

 

Nossa projeção das vendas no varejo restrito em 2018 é de 3,5%. Para 2019, esperamos que o varejo restrito avance 3,8%.

 

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