Domingo, 22 de Julho de 2018

Fluxo pedagiado de veículos pesados registrou forte alta em junho, sugerindo a retomada da produção industrial após a paralisação do setor de transportes


 

O fluxo pedagiado de veículos apresentou alta de 13,6% na passagem de maio para junho, na série livre de efeitos sazonais, conforme divulgado ontem pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Esse resultado devolve quase integralmente a queda de 14,9% registrada na leitura anterior e foi influenciado, principalmente, pelo fluxo de veículos pesados, que avançou 46,9%, enquanto o de veículos leves apresentou alta de 3,4%. Na comparação com o mesmo período de 2017, o fluxo pedagiado recuou 3,3%, refletindo a queda de 7,5% do fluxo de leves. No entanto, o avanço de 9,2% do fluxo de pesados, nessa base de comparação, e outros indicadores coincidentes já conhecidos indicam retomada da produção industrial em junho, revertendo a forte queda observada em maio.

 

Atividade

- Conab revisou para baixo a estimativa da safra brasileira de grãos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem a décima estimativa mensal para a safra brasileira de grãos 2017/18, que está em desenvolvimento no país. A área plantada está estimada em 61,6 milhões de hectares, representando uma expansão de 1,2% em relação à safra anterior. As principais culturas com expansão prevista de área são o algodão (25,2%) e a soja (3,7%). Por outro lado, as áreas plantadas de milho e de arroz deverão diminuir 5,1% e 1,0%, nessa ordem.  A produção total de grãos está estimada em 228,5 milhões de toneladas, recuando 3,9% em relação à safra passada (237,7 milhões de toneladas), que foi recorde. Na comparação com a nona estimativa, a produção foi revisada para baixo em 0,5%, influenciada principalmente pela reavaliação da safra de milho, que atingiu 82,9 milhões de toneladas neste ano (queda de 15,2% ante a safra 2016/2017). Já a estimativa para a produção de soja passou de 118,0 milhões de toneladas em junho para 118,9 milhões de toneladas na leitura atual, o equivalente a uma ampliação de 0,7% (aumento de 4,2% em relação à safra passada). Dentre os grãos, o que apresenta maiores riscos altistas de preços nos próximos meses é o milho, não somente por conta do quadro doméstico, mas principalmente pela expectativa de uma redução mais pronunciada de produção da safra 2018/2019 nos EUA de estoques abaixo da média histórica.

 

- Indicador de Atividade do Comércio avançou em junho, mais do que devolvendo recuo de maio

Conforme dados divulgados ontem, o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio avançou 3,4% na passagem de maio para junho, já descontados os efeitos sazonais. Esse resultado mais do que devolveu a queda de 2,3% registrada na leitura anterior, influenciada pelos efeitos da greve dos caminhoneiros sobre o fluxo de consumidores. O indicador é construído a partir do volume de consultas mensais realizadas pelo comércio à base de dados do Serasa. O maior avanço na margem foi observado no segmento de combustíveis e lubrificantes (9,9%), seguido pelo de veículos, motos e peças (2,4%), pelo de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (0,5%) e de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática (0,4%). Por outro lado, apresentaram recuos na margem o segmento de material de construção (-4,5%) e o de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-0,4%). Na comparação interanual, o indicador avançou 6,6% no mês passado. Esperamos crescimento interanual da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de maio, que será divulgada amanhã pelo IBGE, condizente com o cenário de recuperação bastante gradual da atividade econômica.

 

- Índice de Atividade da Construção Imobiliária registrou tímido avanço em junho, mas acumula retração de 13,1% em 2018

O índice de Atividade da Construção Imobiliária (IACI) apresentou ligeiro avanço (0,2%) na passagem de maio para junho, na série livre de efeitos sazonais, conforme divulgado ontem no Monitor da Construção Civil (MCC), elaborado pela consultoria Tendências em parceria com a Criactive. Em relação ao mesmo mês de 2017, o índice recuou 11,2%, confirmando tendência de retração interanual. Quando observada a composição do indicador, observa-se que a fase de estrutura segue dando sinais de recuperação, acumulando alta de 15,2% considerando dados na média móvel trimestral, com ajuste sazonal. Os índices de estrutura e de fundação registraram avanço, enquanto a fase de acabamento apresentou queda, acumulando recuo de 5,6% na média móvel trimestral. Em suma, os dados apresentados indicam uma retração da atividade de construção imobiliária, na medida em que houve recuo de 12,2% no segundo trimestre na comparação interanual e 14,5% no acumulado em 12 meses até junho. No acumulado até junho, o IACI registra retração de 13,1% na métrica anual.

 

Internacional

- Expectativas para oferta norte-americana de petróleo continuam positivas

Em relatório mensal divulgado ontem, a EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA) manteve sua estimativa para a produção norte-americana de petróleo este ano, em 10,79 milhões de barris/dia, comparativamente ao apontado no documento de junho. Trata-se de um nível que, se confirmado, será 15,4% maior do que o de 2017, taxa favorecida pelo nível atual de preços da commodity, que estimula o produtor local. Para 2019, a projeção é de uma expansão de 9,3%, para 11,80 milhões de barris/dia. Considerando-se o balanço global deste ano, o órgão apontou a projeção de oferta em 100,16 milhões de barris/dia, o que é equivalente a um incremento de 2,2% ante 2017, superior ao avanço previsto para a demanda global, de 1,7% (para 100,20 milhões de barris/dia). Acreditamos que, a despeito dos riscos de curto prazo (aumento do consumo norte-americano com o período de férias, saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã) os fundamentos continuam apontando a cotação do barril um pouco abaixo de US$ 75 do óleo tipo Brent, o que é reforçado pela sinalização recente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de compensar a redução de oferta de alguns de seus membros, ainda que dentro dos limites impostos pelo acordo de limitação de produção.

 

Tendências de Mercado

Os mercados globais operam majoritariamente no campo negativo nesta manhã, refletindo o aumento das tensões comerciais após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que pretende tarifar mais US$ 200 bilhões em produtos vindos da China, que, por sua vez, indicou retaliações ainda não especificadas. Com isso, as bolsas asiáticas encerraram o pregão com perdas generalizadas. Na Europa, as bolsas europeias recuam, enquanto os índices futuros dos Estados Unidos seguem a mesma direção.

Nesse cenário, o dólar aprecia ante as principais moedas dos países desenvolvidos e emergentes, com destaque para a depreciação do rand sul-africano, do dólar australiano e do peso mexicano.

Em relação às commodities, as cotações do petróleo recuam, pressionadas pela tensão comercial entre China e Estados Unidos e refletindo a retomada do controle de portos de exportação pela Líbia, que deverá ampliar a oferta do produto. Além disso, hoje serão conhecidos os dados dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. Os preços das principais commodities agrícolas e dos metais industriais recuam.

No Brasil, na ausência de indicadores relevantes, o mercado de juros futuros deve seguir a tendência internacional.

 

 

 

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