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Em quatro anos, governo diminuiu em 56% o volume de investimento público

Em quatro anos, o governo federal cortou 56,8% dos investimentos públicos, que passaram de R$ 95 bilhões entre janeiro e novembro de 2014, para R$ 41 bilhões em igual período de 2018.

O valor representa 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou seja, de todos os bens e serviços produzidos pelo País. Segundo as projeções do governo do ex-presidente Michel Temer, até dezembro do ano passado, os investimentos devem ter atingido R$ 46,5 bilhões.

Já de acordo com o previsto pela Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019, o governo de Jair Bolsonaro deverá investir até menos do que este valor ao longo do ano: um total de R$ 36,2 bilhões, 22% menor que no ano passado.

No início de 2018, a LOA chegou a prever R$ 68,8 bilhões para alocar em novos projetos públicos, montante que acabou minguando no decorrer do exercício, devido ao cenário político conturbado, bem como com a greve dos caminhoneiros.

É o que avalia o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcos Antônio de Andrade. "No final de 2017, o governo tinha feito uma agenda de reinvestimento, tendo em vista que a projeção de crescimento do PIB estava em quase 3%. Contudo, o ambiente político comprometeu bastante a capacidade de expansão da atividade econômica", comenta Andrade.

Em janeiro de 2018, instituições financeiras entrevistadas pelo Banco Central (BC) previam aumento de 2,7% para o PIB do ano passado, expectativa que caiu para 1,3%. "Haveria um volume maior de investimentos se não fossem todos os problemas políticos que vivenciamos ao longo de 2018", ressalta o professor de economia do Mackenzie.

Infraestrutura
Somente no extinto Ministério das Cidades (2003-2017) , o corte de verbas na área dos investimentos foi de 81% entre janeiro e novembro de 2014 e iguais meses de 2018, de R$ 21,9 bilhões, para R$ 4,4 bilhões. A pasta foi fundida ao Ministério da Integração pelo governo de Bolsonaro.

Já o também destituído Ministério dos Transportes - que agora está sob o guarda-chuva do Ministério da Infraestrutura - teve os seus recursos para investimentos reduzidos pela metade em quatro anos. Estes passaram de R$ 16,3 bilhões, para R$ 8,7 bilhões.
Andrade lembra que a recessão paralisou a possibilidade de continuidade de obras importantes de infraestrutura, como metrô e rodovias e que a tendência é que estes projetos sejam tocados em parceria com o setor privado, como já sinalizado pelo novo governo.

A administração de Bolsonaro dará, inclusive, continuidade ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pelo ex-presidente Michel Temer em 2016. O PPI prevê uma agenda de concessões e privatizações de portos, aeroportos, rodovias, linhas de transmissão e outros projetos no setor de infraestrutura.

O atual presidente chegou a reafirmar a continuidade do programa em sua conta no Twitter, ontem. Ele fez referência aos editais da Ferrovia Norte-Sul, de 12 aeroportos e de quatro terminais portuários lançados no fim de novembro e cujos leilões estão marcados para o mês de março.

Segundo ele, o Brasil irá atrair "rapidamente" um montante de R$ 7 bilhões de investimentos iniciais. "Com a confiança do investidor sob condições favoráveis à população resgataremos o desenvolvimento inicial da infraestrutura do Brasil", declarou.

Para recuperar a confiança e atrair investidor estrangeiro, Andrade ressalta que será necessário iniciar uma agenda de desburocratização e simplificação de regras, algo que a equipe econômica atual também tem sinalizado.

"As notícias dadas pelo governo na área econômica são bastante positivas até o momento. Resta saber agora como se dará a tramitação no Congresso Nacional", conclui o professor do Mackenzie.

Fonte: DCI

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