Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

Risco Político É Elevado


Crise econômica e política de 2014 reduziu peso do crescimento sobre a dinâmica eleitoral, elevando riscos políticos à frente.

 

 

Recessão e corrupção reduziram previsibilidade política.  O período de 2014 a 2017 foi marcado pela recessão e pelos escândalos sequenciais de corrupção. Estes eventos produziram impactos relevantes sobre o ambiente político, elevando tanto a demanda por renovação quanto o desejo de se resgatar o bem-estar econômico vivido no último ciclo de expansão de commodities. Diante deste quadro, dois cenários podem ser construídos para as eleições do próximo ano. No primeiro, a retomada econômica não atenua a crise de credibilidade do sistema político e mantem os discursos populistas competitivos. No segundo, o crescimento reduz a rejeição aos políticos e favorece candidaturas de centro. Apesar de a relação histórica entre economia e política favorecer o último cenário, os indicadores atuais dão peso ao primeiro, dificultando a avaliação do risco político.

 

Retomada da economia enfraquece populismo. Uma forma de se medir a rejeição ao sistema político pode ser dada pela avaliação do governo. A elevada correlação entre as condições de consumo e os níveis de aprovação de governo sugere que a recuperação do consumo reduza a intolerância política, favorecendo as candidaturas de centro e a relevância da estrutura partidária para a competitividade eleitoral, independentemente do carisma dos candidatos. De fato, com sinais claros de retomada e as pesquisas mostrando a população mais sensível a temas econômicos, a rejeição dos candidatos vem caindo e a avaliação do governo mostra alguma reação. Neste caso, as atuais pesquisas de intenção de voto podem não ser um bom termômetro do resultado eleitoral.

 

Crise de credibilidade reduz peso da economia. Por outro lado, apesar de historicamente o crescimento reduzir o risco político, as pesquisas de confiança mostram que o fim da recessão não é percebido de modo claro pela população, o que dificulta a superação da crise política. Mesmo com a recuperação da renda e do emprego, há ainda pessimismo em relação à situação econômica atual (Figura 1), o que faz com que a aprovação do governo mostre descolamento do comportamento da economia (Figura 2). Como resultado, a retomada em curso não tem reduzido a demanda por renovação e discursos populistas, além de manter certa nostalgia em relação ao último ciclo de crescimento.

 

 

Risco político é elevado e pode trazer volatilidade. Nossa avaliação para o crescimento do consumo é positiva, o que gera um viés para se trabalhar com um menor risco eleitoral em 2018. No entanto, os impactos da crise política e econômica de 2014 atenuam, neste momento, as relações tradicionais entre crescimento e política, tornando a economia mais vulnerável a choques e elevando o risco e a volatilidade dos mercados.

 

Fonte: Banco Votorantim