Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

Relatório Trimestral de Inflação sinalizou que ciclo de corte de juros está perto do fim, mas surpresa com cenário de inflação pode levar a mais cortes


O Relatório Trimestral de Inflação divulgado hoje indicou que o ciclo de corte de juros, apesar de estar mais próximo do final, pode avançar um pouco mais. As projeções de inflação no cenário que considera as projeções do Focus para câmbio e juros são de 2,8% em 2017 e 4,2% em 2018 e 2019. Em relação às projeções divulgadas na última ata do Copom houve uma redução de 0,1 p.p. na projeção para 2017, enquanto a do próximo ano ficou estável. Nas projeções que consideram câmbio e juros constantes as estimativas para a inflação ficam em 4,0% para 2018, 4,1% para 2019 e 4,2% para 2020. Por fim, as estimativas para inflação dos próximos três meses estão em 1,30% e deve haver nova surpresa de baixa nesses números. Nosso cenário base contempla mais uma queda de juros em fevereiro, para 6,75%, mas reconhecemos que há risco assimétrico para mais quedas, em virtude do cenário de inflação mais favorável.

 

 
Atividade
- FGV: confiança da indústria tem ligeira queda em dezembro
O índice de confiança da indústria recuou 0,1 ponto entre novembro e dezembro, chegando a 98,2 pontos, segundo os dados preliminares da Sondagem da Indústria divulgados há pouco pela FGV. Essa elevação foi explicada pela queda de 0,2 ponto do componente de situação atual, que atingiu 97,0 pontos, enquanto o índice de situação atual ficou estável em 99,4 pontos. O nível de utilização da capacidade instalada, no entanto, avançou de 74,2% para 74,5%. Apesar do ligeiro recuo da confiança da indústria neste mês, continuamos esperando uma recuperação da atividade do setor nos próximos meses.

 

- Abrainc: lançamentos e vendas de imóveis apresentaram alta em outubro
Os lançamentos de imóveis residenciais somaram 7,2 mil unidades em outubro, uma alta de 86,8% em relação ao mesmo mês de 2016, acumulando crescimento de 18,0% neste ano, conforme divulgado ontem pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). No mesmo período, as vendas totalizaram 9,8 mil imóveis, valor correspondente a um avanço de 30,9% na comparação interanual e um aumento de 5,3% nos dez meses deste ano. Já os distratos recuaram 17,6% ante o mesmo mês do ano passado e 22,7% no acumulado do ano. Para os próximos meses acreditamos na recuperação das vendas e lançamentos em função da retomada da economia e do ajuste em curso dos estoques.

 

- Abear: apesar da ligeira queda em novembro, demanda por transporte aéreo doméstico mantém perspectiva positiva
A demanda por transporte aéreo doméstico apresentou ligeira queda de 0,1% em novembro ante o mês anterior, segundo os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Na mesma base de comparação, a oferta doméstica cresceu 0,3%. Na comparação interanual, a demanda e a oferta por voos domésticos avançaram 5,9% e 3,5%, respectivamente. Em relação aos voos internacionais, tanto a demanda como a oferta registraram aumento, de 2,3% e 1,2% no mês, nesta ordem, também na série livre de efeitos sazonais. Por fim, em relação a novembro do ano passado, a oferta cresceu 9,6% e a demanda apresentou expansão de 6,8%. Esperamos que a demanda por voos domésticos e internacionais mantenha sua trajetória positiva ao longo dos próximos meses, acompanhando a gradual retomada da atividade econômica.

 

Inflação
- IBGE: IPCA-15 de dezembro reforça cenário favorável para a inflação
O IPCA-15 registrou alta de 0,35% em dezembro, de acordo com os dados divulgados há pouco pelo IBGE. O resultado veio em linha com a nossa projeção e a mediana das expectativas do mercado, de 0,33% e 0,35% respectivamente. O resultado mostrou relativa estabilidade em relação à leitura anterior, com os preços de alimentos ainda no campo negativo. Esse resultado reforça o cenário favorável para inflação nos próximos meses.

Setor Externo
- BC: transações correntes registraram saldo negativo em novembro, enquanto investimento direto no país permaneceu elevado

 

O saldo em transações corrente foi negativo em US$ 2,4 bilhões em novembro, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central. Nos últimos doze meses, o déficit acumulado chegou a US$ 11,3 bilhões, enquanto o ingresso de investimento direto no país (IDP) seguiu forte, acumulando US$ 80,3 bilhões no período. Esse resultado torna a necessidade de financiamento externo negativa em US$ 69,0 bilhões. Na conta corrente, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,2 bilhões em novembro enquanto o déficit de serviços atingiu US$ 3,1 bilhões, ante saldo negativo de US$ 2,3 bilhões observado no mesmo período do ano passado. Já o déficit de renda primária, de US$ 2,6 bilhões, foi inferior ao verificado em novembro de 2016 (US$ 3,2 bilhões). Na conta financeira, os investimentos diretos no país registraram entrada líquida de US$ 5,0 bilhões. No mesmo período, os investimentos em ações ficaram negativos em US$ 0,1 bilhão, enquanto aqueles em renda fixa no país apresentaram entrada líquida de US$ 0,7 bilhão. Por fim, a taxa de rolagem da dívida externa de longo prazo ficou em 90%, mantendo o resultado acumulado no ano próximo de 100%.

 

Fiscal
- Tesouro: emissões líquidas da dívida pública atingiram R$ 29,4 bilhões em novembro
As emissões da dívida pública federal somaram R$ 48,6 bilhões em novembro, enquanto os resgates atingiram R$ 19,1 bilhões, fazendo com que os resgates líquidos ficassem em R$ 29,4 bilhões, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional. O estoque da dívida pública chegou a R$ 3,5 trilhões no mês. Vale notar que mais uma vez observamos entrada de estrangeiros na dívida pública (R$ 3,9 bilhões), mas ainda assim houve queda de sua participação na dívida para 12,7%, percentual inferior aos 14,4% observados em novembro do ano passado. Quanto à composição, atualmente 35,2% da dívida pública federal são representados por títulos prefixados, ao passo que 29,7% são ligados ao índice de preços, 31,6% atrelados à taxa flutuante e apenas 3,6% relacionados ao câmbio.

 

Internacional
- Japão: Banco Central manteve a política monetária inalterada
O Banco do Japão confirmou as expectativas do mercado ao manter a política monetária inalterada em reunião realizada na última noite. A taxa de curto prazo foi mantida em -0,1%, e a autoridade monetária decidiu não alterar a política da taxa de juros de longo prazo, ao manter a taxa de 10 anos próxima a zero. Além disso, o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, indicou que a configuração atual da política monetária será mantida enquanto a inflação permanecer inalterada.

 

Tendências de Mercado
Os mercados acionários operam sem tendência única nesta quinta-feira. As bolsas asiáticas fecharam o pregão em alta, com exceção de Tóquio, cujo índice caiu 0,1%. As bolsas europeias operam em queda, enquanto os índices futuros dos Estados Unidos indicam que suas bolsas devem iniciar o pregão próximas à estabilidade. No mercado de divisas, o dólar segue praticamente estável ante as principais moedas, com o iene registrando ligeira desvalorização após o Banco Central do país ter decido manter a política monetária inalterada.

 

No mercado de commodities, as cotações do petróleo estão próximas à estabilidade, após registrarem forte alta no final do dia de ontem, refletindo a queda dos estoques nos Estados Unidos para o menor nível em dois anos. As principais commodities agrícolas são negociadas em alta, com exceção da soja e do café. Já os preços dos metais industriais apresentam tendência de baixa.

 

Na agenda doméstica, os principais indicadores já foram conhecidos nesta manhã.

 

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Fonte: Bradesco