Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Copom reduziu Selic para 7,0% e sinalizou novo corte em fevereiro


O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem reduzir a taxa de juros de 7,5% para 7,0% ao ano, confirmando as expectativas do mercado. Para tanto, o Comitê levou em conta o comportamento da inflação, que permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos. As projeções de inflação do Banco Central caíram em comparação com as da última reunião tanto para este ano como para o próximo, passando de 3,3% para 2,9% em 2017 e de 4,3% para 4,2% em 2018.  Além disso, o BC indicou para a próxima reunião, no cenário central, uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária, em linha com nosso cenário de um corte de 0,25 p.p. em fevereiro. Além disso, o comunicado ressalta que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária. Assim, entendemos que possíveis cortes adicionais da Selic após fevereiro serão condicionais à evolução mais favorável do cenário. Desse modo, reafirmamos nossa expectativa de juros de final de ciclo em 6,75%, em fevereiro.

 

Atividade
- Anfavea: produção de veículos registrou alta em novembro, enquanto as vendas recuaram
A produção total de veículos, excluindo máquinas agrícolas, somou 249,1 mil unidades em novembro, segundo os dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado equivale a um avanço de 4,7% na margem, descontando os efeitos sazonais. Tal valor refletiu as variações positivas das categorias de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com altas de 4,4%, 6,8%, 11,0% e 4,7%, respectivamente. No mesmo sentido, as exportações cresceram 8,0% em relação ao mês anterior, excetuados os efeitos sazonais. Já as vendas ao mercado interno recuaram 2,0% na margem, na mesma base de comparação, com variação negativa nas categorias de automóveis e comerciais leves, mas seguiram fortes em relação ao mesmo mês do ano passado, com alta de 14,0%. Com isso, os estoques apresentaram um ligeiro aumento de 0,7% na margem. O movimento observado da produção de veículos em novembro representa uma retomada de sua trajetória positiva neste ano, após ligeira queda verificada em outubro. Tal resultado corrobora nossa expectativa de estabilidade da atividade industrial na passagem de outubro para novembro.

 

- FGV: indicador antecedente de emprego de outubro reforçou expectativa de recuperação do mercado de trabalho
O indicador antecedente de emprego subiu 1,0 ponto na passagem de outubro para novembro, atingindo 103,9 pontos na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados há pouco pela FGV. Com isso, o índice atingiu seu maior nível desde 2008. Esse resultado refletiu a alta de três dos sete componentes do indicador, com destaque para o avanço de 9,8 pontos do ímpeto de contratações nos três meses seguintes da indústria e para a alta de 8,0 pontos da expectativa do consumidor em relação à facilidade de se conseguir emprego nos seis meses seguintes. Tal resultado reforça nossa expectativa de recuperação gradual do mercado de trabalho ao longo dos próximos meses.

 

- Anatel: telefonia móvel cresceu em outubro, puxada pelas linhas pós-pagas
O número de linhas móveis em operação no Brasil totalizou 240 milhões em outubro, o equivalente a um ligeiro avanço de 0,1% em relação a setembro, na série livre de efeitos sazonais, de acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Tal resultado reflete o comportamento das linhas pós-pagas, que cresceram 1,2% na margem, ao passo que as linhas pré-pagas recuaram 0,9% em relação ao mês passado. Ante o mesmo mês de 2016, o total de linhas móveis em operação sofreu baixa de 2,7%, decorrente da retração de 8,9% das linhas pré-pagas e da alta de 10,9% das linhas pós-pagas. Diante da melhora marginal das condições do mercado de trabalho, esperamos que a demanda por serviços de telefonia móvel apresente alguma recuperação nos meses à frente. Além disso, seguindo a tendência dos últimos meses, as linhas pós-pagas manterão desempenho acima das pré-pagas.

 

Inflação
- FGV: aceleração dos preços industriais e agrícolas no atacado impulsionou o IGP-DI em novembro
O IGP-DI subiu 0,80% em novembro, de acordo com os dados divulgados há pouco pela FGV, acima da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, de 0,62% e 0,64%, respectivamente. A aceleração em relação a outubro, quando o índice avançou 0,10%, foi explicada majoritariamente pelos preços de produtos industriais no atacado, que passaram de uma queda de 0,16% para uma alta de 1,14%. Esse movimento refletiu principalmente a menor deflação do minério de ferro. No mesmo sentido, o IPA agropecuário passou de uma alta de 0,37% para outra de 0,85% neste mês. O IPC, por sua vez, subiu 0,36% no período, após registrar variação de 0,33% na leitura anterior, enquanto o INCC avançou 0,31%, mesma variação registrada no mês passado. Com esse resultado, o IGP-DI acumulou deflação de 0,33% nos últimos doze meses e queda de 1,15% este ano.

 

- BC: aceleração dos preços de commodities agrícolas e de energia impulsionou o IC-Br em novembro
O IC-Br, indicador que mensura o preço das commodities em reais, subiu 4,5% em novembro, intensificando a alta de 2,5% do mês anterior, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central. O movimento foi explicado pela aceleração da alta dos preços de commodities agrícolas e energéticas. No caso das agrícolas, a alta dos preços passou de 1,9% para 5,2%. Já o índice referente às commodities energéticas avançou 8,0% nessa divulgação, após alta de 5,3% em outubro, refletindo o aumento do preços do petróleo. Por fim, as commodities metálicas subiram 0,7%, ante elevação de 3,1% na leitura anterior. Apesar do movimento do último mês, o IC-Br acumula queda de 1,0% em 2017, contribuindo para o cenário benigno para a inflação.

 

Setor externo
- BC: fluxo cambial encerrou novembro com déficit de US$ 636 milhões, refletindo o saldo negativo da conta financeira
Apesar do saldo positivo de US$ 2,4 bilhões na quinta semana do mês, o fluxo cambial registrou déficit de US$ 636 milhões em novembro, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central. As contas comercial e financeira caminharam em sentidos opostos, sendo esta última a responsável pelo saldo negativo do mês, ao registrar saídas líquidas de US$ 2,4 bilhões. Para tanto, as compras somaram US$ 36,3 bilhões, inferiores às vendas de US$ 38,8 bilhões. A conta comercial apresentou superávit de US$ 1,8 bilhão, resultado de câmbio contratado para exportações de US$ 14,5 bilhões, superior aos US$ 12,7 bilhões destinados às importações. Em relação ao primeiro dia de dezembro, o fluxo cambial registrou déficit de US$ 965 milhões. Com esse resultado, o fluxo cambial acumula superávit de US$ 9,0 bilhões no ano.

 

Internacional
- EUA: pesquisa ADP sinalizou que o mercado de trabalho continua aquecido
O relatório de emprego da ADP, divulgado ontem, sugeriu a criação de 190 mil vagas no setor privado nos Estados Unidos em novembro. O resultado ficou em linha com a mediana da estimativa do mercado e abaixo do dado de outubro (235 mil). Apesar da desaceleração em relação ao mês passado, o número continua elevado, indicando que o mercado de trabalho está aquecido. Vale destacar que o dado da ADP é um bom previsor para as informações do payroll que serão conhecidas nesta sexta-feira. Esse dado corrobora nossa expectativa de crescimento de 3,0% do PIB norte-americano no quarto trimestre deste ano.

 

Tendências de Mercado
Os mercados acionários operam em alta nesta quinta-feira. As bolsas asiáticas fecharam o pregão no campo positivo, com exceção de Shanghai, cujo índice recuou 1,1%. Após dois dias de queda, as bolsas europeias se recuperam, impulsionadas pelas ações das empresas de tecnologia. Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos, por sua vez, apresentam ligeira alta. No mercado de divisas, o dólar aprecia ante as principais moedas dos países desenvolvidos e emergentes, com o mercado acompanhando o avanço das negociações da reforma tributária nos Estados Unidos. A libra reduz a depreciação dos dias anteriores, enquanto a primeira-ministra Theresa May prepara nova proposta para a questão da Irlanda do Norte.

 

No mercado de commodities, as cotações do petróleo apresentam leve alta, após quedas significativas depois da divulgação dos dados de estoques dos Estados Unidos, que apresentaram avanço maior que o esperado dos estoques de gasolina na última semana. As commodities agrícolas são negociadas sem tendência única, assim como os preços dos metais industriais. 

 

No Brasil, o mercado deve reagir ao comunicado do Copom da noite de ontem, no qual foi anunciada a redução da Selic para 7,0% e sinalizado novo corte para a reunião de fevereiro.

 

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Fonte: Bradesco