Mesmo com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), concedida pelo Governo Federal em 31 de março de 2009, as vendas do setor de implementos rodoviários de cargas continuam muito aquém das realizadas nos meses que antecederam a crise econômica mundial. No caso específico do mercado de implementos, os reflexos negativos começaram a ser sentidos pela indústria a partir do mês de outubro de 2008 e ainda hoje, sete meses após, os resultados continuam no vermelho.
De acordo com o Departamento de Estatísticas da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), a indústria – responsável pela fabricação de reboques, semirreboques, bitrens, rodotrens e carroçarias sobre chassis –, comercializou nos quatro primeiros meses deste ano, 31.499 implementos. O volume representou uma queda de 22,52% quando comparadas às 40.656 unidades emplacadas em igual período de 2008.
O segmento da linha pesada (reboques e semirreboques) por exemplo foi o responsável pelo emplacamento de 11.839 implementos nos meses de janeiro a abril de 2009, um resultado que registrou uma redução de 33,23% ante as 17.713 unidades comercializadas no primeiro quadrimestre do ano passado.
As vendas dos implementos da linha leve (carroçarias sobre chassis) também ficaram abaixo do esperado pelo setor. De janeiro a abril deste ano, a indústria comercializou 19.659 unidades e registrou uma perda de 14,25% quando comparadas as 22.925 unidades emplacadas nos primeiros quatro meses de 2008.
Mário Rinaldi, diretor-executivo da ANFIR, diz que a redução do IPI até o momento não contribuiu para o reaquecimento das vendas do setor. Para ele, para que haja a aceleração nas vendas é preciso que as instituições financeiras ofereçam créditos com juros mais baixos. “É preciso, também, que ocorra a recuperação das exportações, importações e do agronegócio, para que o setor de implementos e outros segmentos da nossa economia voltem a crescer”, comenta o executivo.
Segundo Rinaldi, tomando como base os dados coletados pelo Departamento de Estatísticas da entidade, as exportações do setor de implementos de janeiro a março de 2009 caíram 63,37%. “Exportamos 623 implementos da linha pesada contra 1.701 unidades exportadas no mesmo período do ano passado”, reclama.
Em função da fraca demanda dos mercados internos e externos, as empresas fabricantes de implementos rodoviários estão operando com 60% a 70% da capacidade instalada. “Mesmo assim, não há registro de demissões. Creio que somente alguns horistas temporários. Estamos utilizando outros meios para não perder nossa mão-de-obra especializada”, assegura Rinaldi.
De acordo com Rafael Wolf Campos, presidente da ANFIR, a queda nos preços das commodities agrícolas, a escassez de crédito somados à retração da demanda devido à crise internacional, fizeram com que a procura por implementos rodoviários sofresse retração nas vendas nos últimos sete meses. “Considerando a situação atual do mercado, os empresários do setor acreditam que o cenário mais provável para o ano de 2009 é ficar muito próximo aos números realizados em 2007, o que no meu entender será um bom resultado já que foi um excelente exercício para o segmento”, finaliza.
Fonte: Imprensa - ANFIR |