Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários
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Apesar da queda registrada no último trimestre, produção da indústria de implementos cresce 25,65% em 2008



Emplacamento de reboques e semirreboques aumenta 35,38%
Fabricação de carroçarias sobre chassis sobe 22,04%
Exportações crescem 2,45%


São Paulo, 12 de fevereiro de 2009 – A indústria fabricante de implementos rodoviários de carga (reboques, semirreboques, bitrens e rodotrens, carroçarias sobre chassis, 3º eixos) encerrou o ano de 2008 com uma produção de 138.379 unidades e com isso registrou aumento de 25,65% sobre os 110.126 equipamentos fabricados em 2007.
As vendas de janeiro de 2009, por sua vez, caíram 26,7% quando comparadas a dezembro, e 34,58% anti o resultado do mesmo mês em 2008.
O setor responde por cerca de 54.000 empregos diretos e indiretos e apurou faturamento de R$ 6 bilhões, anti R$ 3,5 bilhões obtidos no exercício anterior (considerando-se as vendas de equipamentos completos e peças). “Não fosse o desaquecimento do mercado sentido a partir do mês de outubro de 2008, em função da crise econômica mundial, o resultado financeiro do segmento poderia ser maior”, diz Rafael Wolf Campos, presidente da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários).

Linha Pesada - O segmento da linha pesada (reboques e semirreboques), fechou o ano de 2008 com emplacamento de 54.434 implementos o que representou crescimento de 35,38% sobre as 40.209 unidades emplacadas de janeiro a dezembro de 2007. Contribuíram para o resultado positivo em ordem de participação em volume, as famílias de graneleiro carga seca (49,11%), basculante (63,62%), tanque carbono (76,92%), baú carga geral (12,71%), canavieiro (11,05%), porta container (42,87%), especial (55,63%), Dolly (38,55%), carrega tudo (125,86%) e silo (133,83%). (ver quadro estatístico)
Linha Leve – De acordo com o Departamento de Estatísticas da ANFIR, durante o exercício de 2008 foram emplacados 76.715 implementos da linha leve (carroçarias sobre chassis), resultado que ficou 22,04% acima do volume registrado durante o ano de 2007, quando o setor licenciou 62.860 unidades. Com exceção de equipamentos diversos, todas as famílias (graneleiro / carga seca, baús alumínio / frigorífico, baús lonados, basculante e tanque) participaram positivamente do resultado.

Exportação – Segundo Mário Rinaldi, diretor-executivo da ANFIR, da produção total registrada em 2008, o mercado interno absorveu 131.149 unidades e as exportações responderam por 7.230 unidades. “Distribuição parecida com a registrada no ano anterior”, diz.
De janeiro a dezembro de 2008, conta Rinaldi, a indústria exportou 7.230 implementos rodoviários e registrou um desempenho 2,45% superior aos 7.057 equipamentos exportados no mesmo período de 2007.

Fatores Influenciadores – Para a diretoria da ANFIR, um dos fatores que interferiram positivamente no desempenho do setor em 2008 foi o bom comportamento do agronegócio. A safra de grãos 2007/2008 -mais uma vez- apresentou volume recorde e atingiu 143,8 milhões de toneladas, 9% superior a registrada na safra 2006/2007. Em relação à produtividade, o Brasil obteve aumento de 6,6%. Outro fator positivo foi o clima que ajudou o produtor não afetando as lavouras brasileiras. O milho foi destaque, sendo o grão que mais teve aumento na produção. Até a metade do ano, o preço das commodities ajudou os produtores brasileiros a se capitalizarem e realizarem investimentos.
O aumento no consumo de combustíveis, a elevação nas exportações de álcool, mudanças na legislação e a maior utilização do transporte rodoviário na logística do transporte de biodiesel e álcool foram os principais responsáveis pelo aumento nas vendas de tanques de aço carbono e alumínio.
Outro segmento que obteve grande crescimento em 2008 foi o de produtos químicos, impulsionado pelo aumento da produção da indústria automobilística, de fertilizantes e construção civil, gerando aumento na demanda por tanque de aço inoxidável. Outro produto que cresceu em função da indústria automobilística foi o sider que compõe a logística de fornecimento de autopeças. Os mercados da construção civil, infraestrutura e mineração tiveram crescimento expressivo em 2008 principalmente impulsionados pelo aumento do crédito imobiliário e investimentos públicos e privados em infraestrutura, impactando também num bom desempenho dos semirreboques basculantes.
Reflexos da crise - De acordo com a diretoria da ANFIR, a exemplo de outros setores da economia brasileira, a crise econômica mundial começou a influir negativamente no segmento de implementos rodoviários a partir de outubro do ano passado, quando a produção registrou queda de 2,21% sobre o mês de setembro de 2008. Em novembro, o desaquecimento do mercado de caminhões fez com que a indústria registrasse uma perda bem mais significativa, sendo de 20,46% no segmento de reboques e semirreboques e 22,01% em carroçarias sobre chassis.

Perspectivas 2009 – O governo federal tem anunciado vários planos com o objetivo de aquecer o mercado e não deixar que a nossa economia sofra tanto com os reflexos da crise mundial. Em dezembro do ano passado, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aumentou de 80% para 100% o financiamento via Finame para implementos rodoviários, solução que deve influir positivamente no comportamento do setor em 2009. “Estamos pedindo urgência no parecer do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, sobre a solicitação feita pela diretoria da ANFIR, no dia 19 de dezembro. Na ocasião foi entregue um documento pleiteando a redução da taxa de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 5% para zero, que incide hoje sobre os implementos rodoviários”, diz Campos.
Segundo Campos, o segmento de implementos rodoviários vive um momento muito difícil. As principais associadas já anunciaram redução da jornada de trabalho e salário para conter demissões. As vendas de reboques e semirreboques no mês de janeiro deste ano alcançaram 2.238 unidades, o que representou uma queda de 26,7% quando comparadas às 3.053 unidades de dezembro, e 34,58% anti os 3.421 implementos emplacados no mesmo mês em 2008. No caso das carroçarias sobre chassis, o setor registrou o emplacamento de 4.031 unidades em janeiro de 2009, um volume 21,10% abaixo das 5.109 unidades emplacadas em igual mês do ano passado e queda de 25,32% sobre os 5.398 implementos licenciados em dezembro de 2008.
O setor de implementos rodoviários - que caminha junto com o segmento de caminhões - vem registrando queda constante de produção. “A queda no preço das commodities agrícolas, a escassez de crédito somados a retração da demanda devido à crise internacional, fez com que a procura por implementos rodoviários sofresse retração nas vendas nos últimos quatro meses. Considerando a situação atual do mercado, os empresários do setor acreditam que o cenário mais provável para o ano de 2009 é ficar muito próximo aos números realizados em 2007”, finaliza o presidente da ANFIR.


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